Cadinho RoCo – Jeito outro de ler e pintar a vida.

Estréia oficial do Blog – 27 novembro 2006

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

SOLAVANCOS

SOLAVANCOS
      No vai e vem dos acontecimentos surpresas em contraste com atitudes totalmente previsíveis. Encontros e desencontros desenhados por achados e ocasiões por vezes espetaculares.
      Na arte da aquarela o que é lindo para um pode não ser tão encantador para outro. As exigências transitam por desníveis mais que óbvios. Sem compreender isso a possibilidade dos solavancos poderá ser devastadora.
       No processo criativo é sempre imprescindível estar com a atenção mais que acordada para que tenhamos como decifrar os detalhes. São dos pequenos movimentos é que nascem as grandes ações.
      As passagens são muitas fazendo com que não brinquemos com nossas escolhas.
       Saberemos conviver com o que está por acontecer?
Belo Horizonte, 15 dezembro 2017
VIVO VIVER
     Corre solto viver veloz. Parte em busca da vida viver aflito. Soletre seus momentos viver de letras e falas, palavras ditas e ouvidas por tantas ocasiões.
     Vá em busca do mais singular dos sentidos, viver de tanto movimento. E trate de entender o dia de cada dia como ele é, sem querer confundi-lo com o dia nunca existido.
     Sonhe viver de desejos e propósitos. E não deixe que a crença se perca pelos sombrios labirintos da dúvida. Indague acreditando na vinda da resposta. E mesmo que a conclusão demore, continue acreditando nas curvas do caminho e na trajetória que afasta a distância, aproximando o encontro.
     Viva viver, por ser essa a razão de estarmos vivos e presentes a tantas oportunidades.
Santa Luzia, 10 junho 2001

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

OUTRO LADO

OUTRO LADO
      A vida está aí é para ser celebrada sim. Perceber isso é tão simples quanto se permitir à felicidade posta ao nosso mais solene dispor. Mas há quem prefira complicar a coisa, estragar a festa, fazer com que o que está bem não permaneça assim. Daí o expediente das percepções que vão das mais sutis investidas às mais veementes atitudes tão tresloucadas quanto ameaçadoras.
      Estar na paz do espírito então regido pelo amor e alicerçado pela fé inspira a inquietação de quem se entrega aos conflitos brotados da descrença demarcada pela indolência que busca fora o que precisa ser encontrado dentro do seu próprio ser.
      Para quem insiste em não querer encontrar, eis que surge a rota da fuga. É simples assim.
Belo Horizonte, 14 dezembro 2017
PARA ENCONTRAR
     Onde está o amor? O gesto suave e amigo, o aceno oportuno e prudente e os braços abertos para o abraço?
     Onde está o amor? O acreditar tranqüilo, o vagar sem medo e o companheirismo acordado?
     Será prudente sair por aí procurando o amor sem antes darmos ligeiro passeio em nós mesmos? Será possível encontrar o amor em meio aos evidentes distúrbios produzidos pela descrença?
     Pois digo estar o amor em todos os lugares e em tudo, bastando para encontra-lo, estarmos atentos, sóbrios e dispostos a acorda-lo em nossos corações.

Santa Luzia, 03 junho 2001 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

ENCABULADO

ENCABULADO
      Lógico que o tempo anuncia chuva e quando isso acontece céu fica fechado. São nuvens a formarem sombras cinzas a encabularem o céu e pensamento da gente.
      Tem vez que vem sensação de algo estranho à solta no ar. Nem precisa passar tanto tempo para que da sensação apareça o inesperado que não chegou a ser previsto, mas pressentido. Nada de tão extraordinário, mas que também não fica na indiferença.
      Muita coisa acontece à solta por aí fazendo com que fiquemos expostos a situações esparramadas por esse espaço sem fim. Mas sempre tem um instante realçado por revelação a nos mostrar o que não conseguimos perceber.
     Qual será a intenção de cada intenção nossa?
Belo Horizonte, 13 dezembro 2017
QUEBRA-CABEÇA

Milhares de pecinhas
Centenas de detalhes
Dezenas de truques
Única paciência.
Correntinha de ouro
No embaraço cruel
Nós nos nervos
Única paciência.
Riso calmo
Tempo no tempo
Paciência no gesto.
O resto vem da
Sabedoria de quem
Tem paciência.


Belo Horizonte, 16 maio 2001

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

DOÇURA

DOÇURA
      As ideias borbulham com o despertar da manhã sem chuva e com sol indo em busca do verão. As situações aparecem como que por encanto naquele semblante manso e quieto dela que desliza sob o manto de singular discrição. Sua presença convoca a lembrança silenciosamente e só depois, muito depois, é que ela aparece oferecendo esplendor inconfundível. Sua voz acaricia o silencio vindo do passado ao presente impondo jeito próprio de ser quem ela é.
     Quando o tempo se permite ao meditar eis que brota o contraste inconfundível do que se mostra literalmente autêntico.  Assim é que nos damos conta das marcas deixadas em nossa memória com registros de instantes idos, mas trazidos à conferência do que nos cativa.
     A doçura do carinho é o equivalente ao de algum fruto brotado do cultivo acontecido no íntimo da gente.
Belo Horizonte, 12 dezembro 2017
DESEMPANANDO
     Quando a empada passou a ser mais importante que o freguês, instalou-se o equívoco.
     Quando acreditou-se no lucro proporcionado pela empada, ignorando o trazido pelo freguês, o equívoco tornou-se ainda mais alimentado.
     Freguês não é empada. Por isso mesmo é que a empada nada tem a oferecer ao freguês. O freguês sim é que oferece o seu apetite, o seu paladar e a sua vontade à empada. Do que servirá a receita, o tempero ou a estética da empada, sem a apreciação de quem irá dar a ela algum valor?
     Confundir empada com freguês é o mesmo que querer vender o freguês para a empada.
     Será isso sensato?
Belo Horizonte, 03 maio 2001


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

PREENCHIMENTOS

PREENCHIMENTOS
      Aquela aquarela estava pronta. Não havia mais o que fazer incluindo sensação de estar faltando algo. Mas o que sugere ausência é exatamente o vazio do espaço a ser ocupado, como espécie de provocação.
     O que desejo é o que impulsiona o gesto para o que aparenta vaziez a ser devidamente ocupada. Em meio a tantas passagens as possibilidades também escancaram possíveis acessos. Vivemos indo de encontro ao que nos chama, ou nos inquieta. São momentos que buscam nossa participação então remetida aos preenchimentos que podem contar com nosso agir, ainda que no plano do abstrato.
     Intenção de começar novo trabalho. Olho papel limpo e pronto para acolher instante a ser ilustrado.
      Há sempre um desenho à solta por aí.
Belo Horizonte, 11 dezembro 2017
ESPUMINHA

Verso doido
Solto no mundo
Perdido no tempo
Encontrado na vida.
Carícia presente
Poesia no vento
Barco no mar
Vida no tempo.
Se a vida existe
Existirá o tempo
Que diz ser dela?
Maré esquecida
Lembrança doida
Vida no mar.


Belo Horizonte, 25 abril 2001

domingo, 10 de dezembro de 2017

CANSAÇO

CANSAÇO
      Em meio a dias tão atribulados só pensava em dormir. Não tinha mais disposição para nada que não fosse descansar.
      Acordou cedo e o dia foi todo ocupado por tarefas a irem sendo completadas pelo início de outras. Veio a noite e naquela reunião entre amigos estava alegre , muito embora já sentindo efeito do cansaço.
     Era tarde quando então achou lugar propício para boa cochilada. Era preciso ficar quieta naquele momento e foi o que fez até ir embora para sua cama já com dia amanhecendo.
      A manhã chuvosa estava boa era para dormir mesmo.
Belo Horizonte, 10 dezembro 2017
"PROBLEMINHAS”
     Cátia acorda cedo todos os dias. Nem bem o sol nasceu e lá vai a Cátia viver mais um dia.
     Para o trabalho, a necessidade de atravessar a cidade de norte a sul. Do seu caminho diário, uma disposição que parece comprometida com o futuro.
     Penso no futuro da Cátia que passa com seus passos alheios à alegria e à tristeza. Há nela a indiferença de quem sabe suportar a adversidade. Há nela uma juventude que diz conviver com alguns “probleminhas” a serem resolvidos.
     Que probleminhas serão esses?
     Acordo cedo conversando com a manhã da Cátia.

Belo Horizonte, 19 abril 2001

sábado, 9 de dezembro de 2017

PREENCHIMENTOS

PREENCHIMENTOS
      Aquela aquarela estava pronta. Não havia mais o que fazer incluindo sensação de estar faltando algo. Mas o que sugere ausência é exatamente o vazio do espaço a ser ocupado, como espécie de provocação.
     O que desejo é o que impulsiona o gesto para o que aparenta vaziez a ser devidamente ocupada. Em meio a tantas passagens as possibilidades também escancaram possíveis acessos. Vivemos indo de encontro ao que nos chama, ou nos inquieta. São momentos que buscam nossa participação então remetida aos preenchimentos que podem contar com nosso agir, ainda que no plano do abstrato.
     Intenção de começar novo trabalho. Olho papel limpo e pronto para acolher instante a ser ilustrado.
      Há sempre um desenho à solta por aí.
Belo Horizonte, 11 dezembro 2017
ESPUMINHA

Verso doido
Solto no mundo
Perdido no tempo
Encontrado na vida.
Carícia presente
Poesia no vento
Barco no mar
Vida no tempo.
Se a vida existe
Existirá o tempo
Que diz ser dela?
Maré esquecida
Lembrança doida
Vida no mar.


Belo Horizonte, 25 abril 2001